Estado de São Paulo: Projeto imobiliário de R$ 8 bi começa a sair do papel

Estado de São Paulo: Projeto imobiliário de R$ 8 bi começa a sair do papel

 

O Grupo Bueno Netto está
perto de lançar um bairro inteiro
na cidade de São Paulo,
o maior projeto de sua história,
comvalor geral de vendas
(VGV) estimado em R$ 8 bilhões.
O Parque Global simboliza
uma virada na estratégiadacompanhia,
quepretende
focar em “poucos, bons e
grandes” empreendimentos
imobiliários.Atarefanãoéfácil:
a empresa já trabalha há
mais de dez anos no Parque
Global e teve de refazer todo
oprojetodozeronesse período.
O empreendimento passou
por três mudanças societáriaseaindaaguardaaprovações
para o lançamento.
Aempresacomeçouacampanha
publicitária do Parque Global
no fim de setembro. A primeira
fasedoempreendimento
contemplacincotorresresidenciais.
Para essa parte, a companhia
já tem o aval de todos os
órgãos da Prefeitura e do Estado.
Faltaaindaoregistrodomemorial
de incorporação,que está
em análise no cartório.
O Parque Global terá também
torres comerciais, shoppingcenter,
hotel,parqueeestação
de metrô. Tudo isto em
umaáreade218milmetrosquadrados
na Marginal Pinheiros,
entre o complexo Cidade Jardim
e o Parque Burle Marx.
O projeto original se chamava
Golf Village e previa residenciaisdealto
padrão eumcampo
de golfe. “Ele já estava obsoleto
em 2010. Era um empreendimento
fechado. A tendência é
fazerbairrosabertos”,disseLuciano
Amaral, diretor de incorporação
da Benx, empresa do
grupo Bueno Netto responsável
pelo Parque Global.
Mas a gota d’água que obrigou
a incorporadora a recomeçarodesenhodozero
foi a decisão
da Governo de São Paulo de
fazer a Linha Ouro do Metrô no
local. “Isto estragou o projeto
antigomasacabousendooponto
de partida do novo”, disse o
empresário Adalberto Bueno
Netto,fundadordogrupo.Mesmo
com 12% da área desapropriadaparaoMetrô,
onovoprojeto
deve render à companhia o
triplo da receita.
ABuenoNettoentrounoprojeto
do Parque Global como
acionista minoritária.Aempresafariaconsultoriaparaaamericana
Prudential, mas a companhia
deixouonegócionofim de
2002, temendo instabilidades
na economia após a eleição do
ex-presidente da República
Luiz Inácio Lula da Silva.
ABuenoNettoassumiuoprojeto
e buscou novos sócios em
2003 – os empresários Antonio
Boralli, ex-presidente do Citibank
no Brasil e sócio da Método
Engenharia, o investidor
Eduard Schonburg, da Harte
Realty, e Eduardo de Souza Ramos,
representante da Mitsubishi
Motors no Brasil. Ramos foi
o primeiro a deixar a sociedade,
em2004,eosoutrosdoisempresários
saíram do negócioem julho
de 2012. “A concepção do
projetomudoucompletamente
e nãomeinteressei mais”, disse
Boralli.“Paramimfoiumaoportunidadedesaídaparaoinvestimento”,
explicou Schonburg.
A Tecnisa chegou a comprar
25% do empreendimento em
2006, mas a aquisição estava
condicionada ao registro de incorporaçãodeaomenosumafase
do projeto emum ano, o que
não ocorreu. Em janeiro de
2008, a Tecnisa saiu do negócio,
levandoseudinheirodevolta
além de uma área de 37,8 mil
m² como correção monetária.
Em 2012, a Bueno Betto encontrou
outro parceiro para o

O Grupo Bueno Netto está perto de lançar um bairro inteiro na cidade de São Paulo, o maior projeto de sua história, com valor geral de vendas (VGV) estimado em R$ 8 bilhões. O Parque Global simboliza uma virada na estratégiadacompanhia, que pretende focar em “poucos, bons e grandes” empreendimentos imobiliários.Ataref a não é fácil: a empresa já trabalha há mais de dez anos no Parque Global e teve de refazer todo o projeto do zero nesse período. O empreendimento passou por três mudanças societária se ainda aguarda aprovações para o lançamento.

A empresa começou a campanha publicitária do Parque Global no fim de setembro. A primeira fase do empreendimento contempla cinco torres residenciais. Para essa parte, a companhia já tem o aval de todos os órgãos da Prefeitura e do Estado. Falta ainda o registro do memorial de incorporação,que está em análise no cartório.

O Parque Global terá também torres comerciais, shoppingcenter, hotel,parque eestação de metrô. Tudo isto em uma área de 218 mil metros quadrados na Marginal Pinheiros, entre o complexo Cidade Jardim e o Parque Burle Marx.

O projeto original se chamava Golf Village e previa residenciais de alto padrão e um campo de golfe. “Ele já estava obsoleto em 2010. Era um empreendimento fechado. A tendência é fazer bairros abertos”, disse Luciano Amaral, diretor de incorporação da Benx, empresa do grupo Bueno Netto responsável pelo Parque Global.

Mas a gota d’água que obrigou a incorporadora a recomeçar o desenho do zero foi a decisão da Governo de São Paulo de fazer a Linha Ouro do Metrô no local. “Isto estragou o projeto antigo mas acabou sendo o ponto de partida do novo”, disse o empresário Adalberto Bueno Netto,fundador do grupo. Mesmo com 12% da área desapropriada para o Metrô, o novo projeto deve render à companhia o triplo da receita.

A Bueno Netto entrou no projeto do Parque Global como acionista minoritária. A empresa faria consultoria para a americana Prudential, mas a companhia deixou o negócio no fim de 2002, temendo instabilidades na economia após a eleição do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.

A Bueno Netto assumiu o projeto e buscou novos sócios em 2003 – os empresários Antonio Boralli, ex-presidente do Citibank no Brasil e sócio da Método Engenharia, o investidor Eduard Schonburg, da Harte Realty, e Eduardo de Souza Ramos, representante da Mitsubishi Motors no Brasil. Ramos foi o primeiro a deixar a sociedade, em2004,e os outros dois empresários saíram do negócio em julho de 2012. “A concepção do projeto mudou completamente e não me interessei mais”, disse Boralli.“Para mim foi uma oportunidade de saída para o investimento”, explicou Schonburg.

A Tecnisa chegou a comprar 25% do empreendimento em 2006, mas a aquisição estava condicionada ao registro de incorporação de aomenos uma fase do projeto em um ano, o que não ocorreu. Em janeiro de 2008, a Tecnisa saiu do negócio, levando seu dinheiro de volta além de uma área de 37,8 mil m² como correção monetária.

Em 2012, a Bueno Betto encontrou outro parceiro para o Parque Global, a Related Brasil, subsidiária de um dos maiores grupos imobiliários dos EUA. “Chegamos ao País em 2012 e estávamos procurando nosso primeiro projeto. O Parque Global é muito parecido com um empreendimento de US$ 20 bilhões que temos em Manhattan. Achamos que fazia sentido entrar”, disse Daniel Citron, presidente da Related no Brasil. Ela é sócia apenas da parte residencial do projeto, que deve somar R$ 1,5 bilhão em valor geral de vendas. As demais fases pertencem só ao grupo Bueno Netto, mas podem ter outros sócios.

Estratégia. O grupo Bueno Netto nasceu como construtora, há 37 anos, e depois entrou no ramo de incorporação. A empresa chegou a estudar a abertura de capital, mas optou por uma reestruturação. O grupo deu origem a quatro empresas: uma construtora, uma imobiliária e duas incorporadoras – a Benx e a BNCorp. Esta última é focada em escritórios e foi criada em sociedade com o banco Merril Lynch, que depois vendeu sua fatia ao fundo Blackstone.

Fora da Bolsa, as companhias do grupo não tinham o mesmo caixa–e obrigações com investidores– para acelerar seus lançamentos no mesmo ritmo que as grandes incorporadoras de capital aberto. A estratégia da empresa foi se aliar a elas e ser parceira nos projetos de Gafisa, PDG e Cyrela, por exemplo.

Mas, no fim de 2011, após uma série de erros operacionais, as grandes brecaram. “Aproveitamos para comprar terrenos na hora que elas pararam”, disse BuenoNetto. O grupo pretende lançar R$ 2 bilhões entre 2013 e 2014 –cerca de metade dentro do Parque Global.

Bueno Netto ensaia uma nova estratégia, mas descarta competição direta com as grandes.“Queremos nos concentrar em grandes projetos. Quem está na Bolsa, não pode depender disso.” Por quê? O retorno exige paciência, o que nem sempre é o forte do mercado financeiro. No Parque Global já se foram onze anos de investimento e nenhuma receita. 

Fonte: O Estado de São Paulo, 17/10/2013

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