Estado de São Paulo: Estandes atuais 'materializam' imóveis na planta

Estado de São Paulo: Estandes atuais 'materializam' imóveis na planta

Sentir passou a ser mais um verbo a ditar as experiências dos consumidores nos estandes imobiliários. Os showrooms se sofisticaram nos últimos anos e, hoje, além de se colocarem como óbvios pontos de venda, eles buscam antecipar as sensações de uso dos empreendimentos vendidos na planta.

Na zona sul da capital, os 3 mil metros quadrados do estande do Parque Global, mega empreendimento da incorporadora Benx, procuram dar aos visitantes a ideia da grandiosidade do projeto de R$ 8 bilhões de Valor Geral de Vendas (VGV) e que levará à região do Panamby residências de alto padrão, escritórios e um shopping center.

A maior atração do espaço rouba aproximadamente cinco minutos dos visitantes. Trata-se de uma sala escura em formato de meia lua onde projeções em 180 graus apresentam em vídeo como o entorno da Marginal Pinheiros será transformado depois que o Parque Global ficar pronto. Completa a ação uma maquete branca daquela região e que serve de tela cinematográfica, ganhando vida graças a umjogo de luzes mapeado em sincronia com o filme.

“Ali, nós vendemos um conceito;na sala da maquete, que vem logo depois, vendemos o produto”,diz o diretor de incorporação da Benx, LucianoAmaral. O modelo em exposição possui prédios de mais de três metros de altura e fica sob um espelho disposto no teto que mostra toda a implantação do projeto.

No mesmo salão, além dos painéis com imagens de perspectiva, há intervenções tecnológicas: um vídeo mostra as vistas que os usuários dos edifícios terão após a entrega das chaves, com imagens do entorno captadas de alturas equivalentes ao 12º, 22º, 32º e 42º andares.

Fora das telas, a antecipação das experiências também ocorre. Antecedendo a entrada dos apartamentos decorados, cinco obras de arte recepcionam os visitantes do estande. Cada uma delas, de autoria de artistas renomados, enfeitará o hall principal de edifícios residenciais do Parque Global.

“Com os estandes, tentamos tornar o processo de compra menos abstrato, porque os imóveis estão na planta e não é qualquer um que consegue entender”, diz a responsável pela área de marketing da imobiliária Brasil Brokers em São Paulo, Tatiana Ballan. Além de uma área de apoioa os corretores e da recepção, utilizada para direcionar os compradores para o atendimento e para recolher informações úteis para a área de inteligência das empresas, as demais dependências dos pontos de venda servem para dar concretude aos produtos, segundo ela.

No salão de atendimento, as ilustrações e os totens interativos permitem que os visitantes vejam como serão,após o término das obras, os itens da área comum dos edifícios. Projetos mais elaborados do que a média, como Quintas da Lapa, da incorporadora Even, dão mais espaço para a imersão.

O estande do empreendimento possui um cubo onde os usuários podem navegar, por meio de um joystick, pelas áreas comuns do residencial, com foco no público familiar. “A pessoa faz um tour virtual pelos 25 itens de lazer em tamanho real. Se quiser, pode ver só as áreas infantis ou o lazer adulto”, diz a gerente de incorporação da Even, Guita Rutman.

Havia, segundo ela, falta de espaços nos estandes de venda que dessem protagonismo à experiências nas dependências de lazer dos edifício, porque as áreas internas e as visões gerais dos projetos já vêm sendo bem servidas há anos pelo mercado por meio dos apartamentos decorados e das maquetes.

De acordo com o diretor de atendimento da imobiliária Lopes, João Henrique, os modelos apresentados costumam ser colocados na mesma posição do prédio em relação ao terreno. “A maquete mostra muito bem a volumetria da fachada, arquitetura e a implantação do empreendimento. Não é todo mundo que consegue enxergar o produto só com imagens.”

A automação é um dos pontos fortes das maquetes atuais. Já é comum nos lançamentos paulista nos modelos que permitem, por meio de movimentações mecânicas, a visualização de dependências internas dos prédios como piscinas aquecidas e academias. Algumas maquetes também podem ser iluminadas de forma setorizada, “O acender e apagar de luzes pode ser feito fora e dentro do prédio. Então a pessoa pode ser exatamente onde está na torre a unidade que ele quer”, diz Guita Rutman, da Even.

Nos apartamentos decorados, a ideia principal é fazer com que o cliente se sinta efetivamente em casa. Os imóveis em exposição têm as mesmas metragens das descritas no projetos, mas os elementos de acabamento costumam ser mais sofisticados – os elementos não previstos no memorial descritivo dos empreendimentos devem ser devidamente identificados na unidade àmostra no estande.

“O decorado tem de ser muito fiel as áreas técnicas. Eu não posso colocar um local que precise de acesso à água se a área não tiver ponto de água”, diz a arquiteta Patricia Anastassiadis, um dos principais nomes responsáveis pelo desenvolvimento de estandes e decorados em São Paulo. “Você pode usar uma música ambiente e até aromas para mostrar qual é o clima daquele imóvel”, conta.

Entre as possibilidades dos decorados, de acordo com profissionais do mercado, estão as paredes deslizantes – estratégia para mostrar a possibilidade de ampliação da sala em alguns apartamentos. Outra medida de divulgação curiosa, mas ainda restrita, é o uso de atores fazendo o papel dos moradores típicos dos projetos. “O estande é a loja do empreendimento e, nele, temos que contar uma história”, diz Patrícia.

Fonte: O Estado de São Paulo, 13/04/2014

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