Alterações nas plantas mostram 'revolução no morar'

Alterações nas plantas mostram 'revolução no morar'

Apartamentos com amplas salas, quartos e cozinha, todos fechados com suas portas e poucos (muitas vezes apenas um) banheiro tão comum em décadas passadas deram espaço às unidades com metragens menores e cozinhas, varandas e salas integradas e quartos com suítes. As alterações nas plantas também são notadas nas áreas comuns dos empreendimentos. Piscinas simples, quadras, playgrounds e salão de festas foram substituídos por espaços gourmets superequipados, piscinas aquecidas, salas para ginástica, danças e relaxamento, sala de estudos e espaços de serviços à disposição dos moradores, como lavanderias e áreas pets, por exemplo.

De acordo com o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAUSP), Gilberto Belleza, como as unidades residenciais estão ficando menores, os empreendimentos oferecem cada vez mais serviços nas áreas comuns. “Com a redução das áreas privativas é preciso entregar espaços coletivos para serem utilizadas pelos moradores. Por isso, percebemos uma tendência de grandes áreas nos térreos dos condomínios”, diz.

Belleza considera essa mudança nas plantas mais uma “revolução no morar”. Para ele, os projetos arquitetônicos se transformam em espaços mais flexíveis, permitindo melhor visualização dos ambientes e facilitando o uso dessas áreas.

“As mudanças ocorrem porque as pessoas buscam novas maneiras de vivenciar os espaços, criando tendências.” Belleza lembra, ainda, que “a aceitação ou não dessas propostas (pelo público) é que determinará o uso de cada uma delas”.

Necessidade. Segundo o diretor de incorporação da Brookfield, José de Albuquerque, o pú- blico família continua “vivo” nos projetos. Em consequência, a incorporadora investe em áreas de lazer que vão além do básico. “Hoje, as plantas devem ser mais específicas. Por exemplo, a academia deve ter uma sala fechada para o uso individual com um personal trainer.”

Albuquerque diz ainda que a empresa tem a marca 4Family, cujo o objetivo é oferecer empreendimento com espaços que sejam mais bem utilizados pelas famílias. Para o melhor aproveitando dos espaços, a incorporadora contrata uma consultoria de serviços em lazer para deixar as áreas apropriadas para a instalação de um ambiente personalizado, como por exemplo uma sala de estudos.

 “A proposta é fazer uso racionalizado dos ambientes e deixar áreas disponíveis para que condomínio possa aproveitá- las no futuro.”, diz.

 Diretor geral da incorporadora Benx, Luciano Amaral conta que a incorporadora aposta na exclusividade. “Nossos projetos dão aos clientes flexibilidade para alterar a unidade de acordo com o seu gosto, personalizando-a. E esse traço que até uns 20 anos atrás era comum para compradores de alto padrão, hoje já é possível com diferentes públicos, que aceitam de maneira positiva.”

Nas áreas comuns dos condomínios, a Benx opta por espaços de lazer que ofereçam conforto ao morador. “Guardando as devidas proporções, cada empreendimento terá áreas comuns de acordo com seu público. Deve ter suas especificidades pelo custo e pela maneira de viver de cada um deles”, diz.

Internas. Para o diretor da Brookfield, os moradores querem unidades com espaços multiuso e ambientes que possam ser conectados. “Cozinha, sala e terraço gourmet com integra- ção e também acesso para escritório das áreas sociais do apartamento. As pessoas gostam e cada vez mais cozinham em casa e esse já é um momento social, por isso o ambiente deve ser aberto para as outras áreas.”

Amaral conta que a Benx entrega projetos funcionais. “Até em unidades de 40 metros quadrado, 45 m², o proprietário poderá utilizar os espaços de forma mais adequada”, diz o diretor da Benx, que esclarece que todas os apartamentos têm cozinha integrada.

Para o diretor da Marques Construtora Vitor Marques, hoje a cozinha aberta é valorizada por todos os públicos. “É um ambiente da casa que há investimento em decoração. Não há mais portas, pois o local é valorizado e deve ser apreciado.”

Segundo ele, com o metro quadrado mais valorizado é preciso fazer um aproveitamento total das áreas para evitar o desperdício de espaço nos corredores e áreas de circulação.

“Os apartamentos estão mais otimizados para atender as necessidades do dia a dia do morador e as áreas comuns não podem ser ociosas e devem ser compartilhadas de acordo com a necessidade, sem desperdício de espaço.” Marques destaca que cada metro quadrado dentro do apartamento não aproveitado pede um complemento na área comum incluindo serviço. “Em unidades menores, por exemplo, se o morador não quiser instalar a lavanderia na varanda, tem uma área maior e utiliza a lavanderia coletiva já entregue pela construtora.”

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