A ascenção dos imóveis necessários

A ascenção dos imóveis necessários

O perfil do comprador mudou, e, com ele, o foco das incorporadoras. A nova safra de lançamentos residenciais na cidade de São Paulo, esta concentrada na faixa de até R$500 mil por unidade.

Segundo dados da consultoria imobiliária Geoimovel, de 2014 para 2015 o segmento de imóveis que custam até R$420mil foi o único que cresceu na capital (44%).

Os números são similares aos divulgados pelo Secovi - SP (sindicato do setor), segundo os quais há um aumento de 32% nos lançamentos de apartamentos que custam até R$255 mil.

Para Celso Petrucci, economista-chefe da entidade, o fenômeno se dá porque o atual comprador médio tem "necessidades habitacionais imediatas". Além disso, há uma redução significativa no número de pessoas que compram para investir.

"Hoje, o mercado é das nessecidades. São os recém-casados, que migraram para a cidade ou que estão saindo da casa dos pais e precisam da primeira moradia." diz.

O economista também aponta para um ajuste do próprio mercado imobiliário, que vinha lançando imóveis de padrão mais alto em ritmo acelerado e se deparou com uma queda acentuada na procura por esse tipo de produto. De 2014 para 2015, o número de lançamentos na faixa de preço de R$1 milhão até R$ 1,5 milhão caiu 64%.

“Sempre haverá espaço para os imóveis compactos e com preços mais baixos”, diz.

As incorporadoras são unânimes ao afirmar que a ascensão dos imóveis econômicos foi puxada pelos lançamentos na periferia, onde os terrenos são mais baratos.

“Há uma demanda reprimida expressiva nesses locais. Isso acontece porque os lançamentos são mais raros nessas regiões”, afirma Maurílio Scachetti, diretor comercial da Abyara Brokers.

A incorporadora, antes focada nos segmentos de alto e médio padrão, anunciou que vai ampliar o investimento nos econômicos.

Segundo dados da Abyara, a zona leste se destaca nas unidades de até R$ 350 mil, concentrando quase metade dos lançamentos do tipo na cidade em 2015.

De acordo com a Abyara, um impulso fundamental para o segmento foi a elevação do teto do programa federal Minha Casa Minha Vida, de R$ 190 mil para R$ 225 mil.

REGIÕES CENTRAIS

Renata Brasileiro, gerente de marketing e vendas da incorporadora Benx, acredita que há potencial para os econômicos fora das periferias.

 Pensando nisso, a incorporadora lançou, a partir de 2013, cinco empreendimentos na Barra Funda (zona oeste) com preços mais baixos que R$ 360 mil.

O condomínio mais caro é o Barra Vista, projeto em parceria com a Gafisa, que tem unidades entre 51 m² e 58 m², dois quartos e área de lazer com piscina e academia.

Segundo Brasileiro, antigamente as incorporadoras não construíam imóveis econômicos em bairros mais centrais. Para ela, a mudança se deu por uma combinação de fatores, como a nova lei de zoneamento e o acesso mais fácil ao crédito imobiliário.

“O amplo acesso ao crédito não é uma coisa que existia 20anos atrás. Isso fez com que o mercado visse o segmento com outros olhos.”

 A quantidade de equipamentos de lazer também mudou. “Hoje, tudo que tem em condomínios de alto padrão também já é encontrado em econômicos. É uma questão de segurança e de status”, afirma Scachetti.

O Quartier Residénce, da PDG, no Jaguaré (zona oeste), tem quadra, playground, piscina, churrasqueira e academia. Os apartamentos, de 70 m² e três dormitórios, custam a partir de R$ 368 mil. O prédio fica em uma região de galpões industriais.

 Para Petrucci, o possível ônus de se adquirir um imóvel mais barato —com uma metragem muito pequena e, muitas vezes, longe de áreas mais centrais— é amenizado na hora da venda. “Esse comprador sabe que, quando quiser se desfazer do apartamento, sempre vai encontrar público interessado”, afirma.

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